domingo, 28 de junho de 2009

Casa 33

Na casa 33
Onde dormi uma vez
Tinha peixe sobre o piano
Uma espécie de aquario humano
com olhos por todos os lados

Tudo era tão colocado que
eu tinha medo de encostar
a frente tava de lado
e atrás estava o mar
tinha pingos nas goteiras
e setas nos relogios
que insistiam em continuar

Tinha uma grande janela
Borboletas pousando nela
E um materno cheiro de jasmim e manjericão
que acordava o cão
que acordava a casa inteira...

Livros coloridos, sem poeira
passaros, ratos, penduricários de cristal
Tudo tão errado que parecia decorado
no calor do coração

Na casa 33
onde dormi uma vez
tinham arvores de vidro e
cantos iluminados
vidas sendo vividas dentro e fora dela
nada que tirasse o sono ou que lembrasse abandono.

E quando o sol bate ela sorri
sorri...
os galhos precisam ser cortados
o chão escovado

Há de se aparar a grama
e conversar com o jardim
Lá atrás tem uma palmeira
que diz segredos só pra mim!

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