quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Origem das Idéias


Um problema de quem tem o hábito de escrever: A sensação de estar sempre deixando com que lhe escapem as idéias. Seja dentro de um ônibus, em pé no metrô, na areia da praia, numa peça de teatro, onde há observação, há idéia, e onde há idéia, há impulso de registrar. Esse mecanismo as vezes funciona com uma câmera ao invés de uma caneta, assim o sujeito tem o impulso de registrar no equipamento tudo quanto seu olhar considerar imperdível. A trajetória, tanto do coletor de idéias, quanto do de imagem, é totalmente subjetiva e um tanto heróica. É um fado!
" Vive-se o presente, colaborando com o passado em possível harmonia com o futuro."
...e assim sereia respira dentro dágua.
O escritor é um tradutor. Tradutor de realidades. Ele transforma o agora em atemporal. Viaja no tempo para que outras mentes despontem novas e unicas traduções.
Será isso possível apenas no mundo humano? Ou talvez os golfinhos com seus cantos e ondas cerebrais também transitem entre gêneros e dimensões?

Depois de alguns anos de imersão sem lógica, numa esquina de Copacabana, uma idéia nefasta inundou minha mente. Nunca as renego de cara. Mas esta me foi libertadora, pensei: Eu devolvo para a fonte!. Subitamente meus anos de romantismo passaram, não há nada que a fonte não receba de volta, somos todos em parte dinossauros. Fácil:

“O Rio de janeiro volta a ficar azul. Os pássaros dançam. Alguém que trabalha com sexo oral escova os dentes como lady MacBeth lavaria suas mãos de sangue...”

Devolvo pra fonte, pego outra!

“O Rio de janeiro volta a ficar azul. Os pássaros dançam. A beleza é tão intensa que blefa. É bom respirar aqui, não é de mentira. As cidades seguras escondem os maiores crimes. As cidades caóticas tem natureza própria, seja ela qual for. No Rio é agressiva, persuasiva, embriagante....Platão teria amado e Sócrates teria escrito que os deuses realmente existiram, e Nietzsche teria encontrado um novo amor...”

-Pensou pra escrever?
-Não.
-Ótimo.

Reencontrei a origem das idéias.